Novo Mitsubishi Eclipse Cross elétrico chegou, mas tem um porém

O Mitsubishi Eclipse Cross elétrico finalmente foi apresentado, trazendo tecnologia, autonomia e design moderno. No entanto, nem tudo são boas notícias: apesar do lançamento, o SUV enfrenta um obstáculo que pode frustrar os fãs brasileiros de veículos elétricos.

Embora o nome Eclipse Cross seja familiar para o público nacional, o novo modelo é, na prática, um Renault Scénic E-Tech com o emblema da Mitsubishi. Isso evidencia como a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi permite compartilhar plataformas, mecânicas e tecnologias, mas também destaca os limites do mercado e da produção local.

Plataforma compartilhada

O SUV utiliza a plataforma CMF-EV, a mesma dos modelos Renault Mégane E-Tech e Scénic E-Tech. Essa base moderna garante um conjunto mecânico eficiente, capaz de suportar baterias de alta capacidade e motores elétricos potentes. Para a Mitsubishi, essa estratégia representa uma forma inteligente de lançar um veículo elétrico sem precisar desenvolver um modelo do zero.

Novo Mitsubishi Eclipse Cross  Elétrico em movimento na estrada.
Foto: Divulgação | Novo Mitsubishi Eclipse Cross Elétrico.

Apesar da origem francesa, a Mitsubishi aplicou traços próprios na dianteira. O design remete ao Outlander PHEV, com faróis em LED integrados à grade, linhas robustas e presença visual marcante. Essa combinação de identidade visual japonesa com tecnologia francesa resulta em um SUV esteticamente moderno, mas cuja essência mecânica permanece europeia.

Veja também: Mitsubishi acaba de apresentar o Eclipse Cross elétrico

Interior tecnológico

Dentro do veículo, a origem Renault fica evidente. O volante característico, o painel voltado para o motorista e a tela multimídia vertical de 12,3 polegadas são elementos herdados do Scénic E-Tech. A cabine é moderna e conectada, oferecendo integração com Google Embedded e acesso a aplicativos essenciais.

O acabamento une conforto e praticidade. Bancos ergonômicos, iluminação ambiente e painel intuitivo tornam a experiência agradável, enquanto a ergonomia e a tecnologia mantêm o padrão elevado, mostrando que, mesmo sendo “um Renault disfarçado”, o Eclipse Cross entrega qualidade e funcionalidade.

Desempenho elétrico

O motor elétrico dianteiro entrega 218 cv de potência e torque instantâneo de 30,6 kgf/m, garantindo aceleração de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos. A velocidade máxima é limitada a 170 km/h, suficiente para uso urbano e rodoviário. Esse desempenho coloca o SUV no patamar de modelos elétricos médios competitivos no mercado europeu.

O grande destaque é a bateria de 87 kWh, que permite autonomia de até 600 km no ciclo europeu WLTP. A recarga rápida de até 150 kW reduz o tempo de espera, tornando o modelo mais prático para viagens longas. Apesar desses números impressionantes, a limitação de mercado continua sendo um ponto crítico para o Brasil.

Recursos avançados

O Eclipse Cross elétrico traz tecnologias de ponta, como teto panorâmico fotocrômico que ajusta automaticamente a luminosidade e sistemas avançados de assistência ao motorista. Controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência e monitoramento de ponto cego garantem segurança e conforto, tornando a condução mais tranquila em qualquer situação.

Além disso, a conectividade com Google Embedded permite integração total com aplicativos, navegação e entretenimento, tornando o SUV mais conectado que muitos concorrentes diretos. A tecnologia, aliada à eficiência energética e ao design moderno, é um dos maiores atrativos do modelo europeu.

Ficha técnica resumida

  • Motorização: elétrico com 218 cv
  • Bateria: 87 kWh
  • Autonomia: até 600 km
  • Plataforma: CMF-EV da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi
  • Tecnologia: teto panorâmico fotocrômico, Google integrado

O porém brasileiro

O grande “porém” do Mitsubishi Eclipse Cross elétrico é justamente a sua chegada ao Brasil. A Mitsubishi mantém a produção da primeira geração do Eclipse Cross em Catalão (GO), que ainda é movida a combustão. Além disso, a marca continua a investir em híbridos, como o Outlander PHEV, e motores diesel.

Sem planos concretos de importação ou produção local, a chegada do SUV elétrico ao mercado nacional ainda é incerta. A infraestrutura de recarga limitada e os altos custos de importação dificultam que o veículo se torne acessível e competitivo para o público brasileiro, mantendo-o restrito a mercados europeus.

Comparação de mercado

No cenário europeu, o Eclipse Cross elétrico concorre com SUVs elétricos como o Volkswagen ID.4, Hyundai Ioniq 5 e Kia EV6, oferecendo autonomia competitiva e cabine tecnológica. No entanto, sem presença oficial no Brasil, o modelo não pode disputar diretamente com concorrentes nacionais ou híbridos já consolidados, deixando uma lacuna para quem busca SUVs elétricos modernos da Mitsubishi.

Mesmo assim, o lançamento serve como referência para futuros modelos elétricos da marca, mostrando que é possível combinar design japonês com eficiência energética europeia e tecnologia avançada.

O Mitsubishi Eclipse Cross elétrico impressiona com design, autonomia e tecnologia, mas o grande porém é a baixa probabilidade de vê-lo nas ruas brasileiras. A origem Renault e a limitação de mercado reforçam que nem tudo é perfeito para os fãs nacionais de elétricos.

Ainda assim, o SUV demonstra como alianças globais podem acelerar lançamentos, combinar eficiência energética e entregar inovação tecnológica, mesmo que restrita a alguns mercados. Para entusiastas europeus, é uma ótima opção; para brasileiros, uma expectativa distante.

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Redator online do Agora Motor, antes mesmo de concluir o ensino médio e fazer a carteira, Gabriel já está envolvido no universo automotivo. Produz conteúdos informativos e relevantes, com foco em lançamentos, notícias e tudo que movimenta o setor. Interessado em aprender e crescer na área, acompanha de perto as tendências do mercado e busca tornar a informação acessível a todos os leitores.
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