Tributar carros elétricos importados, pode acabar com os elétricos no Brasil, diz ABVE!

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) manifestou sua insatisfação em relação aos planos do governo de voltar a cobrar o Imposto de Importação para carros elétricos e híbridos no Brasil.

A entidade, que representa as montadoras que vendem veículos elétricos no país, acredita que o fim da isenção pode ser uma atitude precipitada.

Tributar carros elétricos importados é um erro, diz ABVE

De acordo com Ricardo Bastos, presidente da ABVE, a reintrodução desse imposto pode encarecer os carros eletrificados e ainda atrasar o desenvolvimento desse setor, com o adiamento de investimentos. Ele argumenta que isso seria contraproducente em relação ao objetivo do governo de incentivar a produção local de carros com tecnologia e energia limpa.

Lateral do BYD Seal 2024.
Novo BYD Seal. Foto: Divulgação

Bastos ressalta que, nesse momento em que o mercado de veículos elétricos está em crescimento, as montadoras estão fazendo planos para aumentar a oferta de modelos e realizar novos investimentos. Qualquer mudança nas regras agora poderia adiar essas decisões de investimento que ainda não foram anunciadas.

No entanto, a ABVE não é contra a tributação em si, mas acredita que ela não deve ser implementada agora, quando as vendas de carros elétricos e híbridos plug-in representam apenas 1,7% do mercado (ou 0,5% quando consideramos apenas os veículos elétricos a bateria). A entidade sugere que a cobrança seja retomada quando essa participação chegar a 5%, o que está previsto para ocorrer em 2025.

GWM Ora 03 2024.
Visual elegante do novo GWM Ora 03. Foto: Divulgação

É importante destacar que, nesse patamar de 5%, o crescimento das vendas de carros elétricos e híbridos plug-in ganha impulso significativo, conforme demonstrado por experiências internacionais e estudos sobre a adoção de novas tecnologias, que mostram um maior conhecimento do público e uma melhor oferta de infraestrutura.

Bastos também mencionou o aumento das vendas pelas marcas chinesas Caoa Chery, BYD e GWM, que são as três principais emplacadoras de carros híbridos, híbridos plug-in e elétricos no Brasil.

Atualmente, as vendas de veículos eletrificados representam apenas 2% do mercado brasileiro. Segundo Bastos, esse número não pode ser considerado como invasão.

BMW i7.
A BMW i7 promete revolucionar o mercado no quesito luxuosidade. Foto: Divulgação

Ele destaca que a isenção do imposto de importação tem atraído anúncios de investimentos e que voltar com essa cobrança agora seria desperdiçar todos os esforços que o Brasil tem feito em relação à eletrificação, não apenas das montadoras, mas também dos fornecedores, como as indústrias de baterias e carregadores.

A declaração de Bastos é uma resposta ao comentário do secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira.

Em uma entrevista à Reuters publicada na última sexta-feira (15), Moreira confirmou a volta do imposto de importação, justificando a necessidade de estimular a produção local de carros com tecnologia e energia limpa, uma vez que diversos países têm adotado políticas protecionistas nesse campo.

Visual do Seres M7 2024.
Visual elegante e luxuoso do Seres M7 2024. Foto: Divulgação

A data exata para a implementação dessa nova medida ainda está em debate e aguarda a definição do vice-presidente e ministro da pasta, Geraldo Alckmin, de acordo com o secretário. No entanto, fontes do setor adiantam que o anúncio será feito até o fim deste mês.

Vale ressaltar que a isenção do imposto de importação para carros elétricos e híbridos foi anunciada há cinco anos, sem uma data definida para o seu término. Atualmente, as alíquotas desse imposto são de 0% para veículos elétricos e de até 4% para híbridos, enquanto os veículos equipados com motor de combustão interna pagam 35%.

Apesar disso, empresas como GWM e BYD já haviam anunciado seus investimentos para começar a produzir veículos elétricos e híbridos no Brasil. A GWM tem previsão de início em maio de 2024 em Iracemápolis, interior de São Paulo, enquanto a BYD iniciará sua produção em Camaçari (BA) no início de 2025.

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Thiago Klaumann
Administrador de empresas, profissional de marketing e empreendedor na internet. Fã de Fórmula 1, Stock Car, Moto GP e demais categorias de corridas, é apaixonado por automobilismo desde criança. Piloto de kart nas horas vagas, está sempre antenado em todos os lançamentos do mercado. Atualmente dedica-se à redação do portal Agora Motor, publicando artigos, notícias, pesquisas, testes e conteúdo multimídia sobre o universo automobilístico.
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