Tracker 2026 é tudo isso mesmo? Veja 5 prós e 5 contras antes de comprar
Visual novo, painel digital e teto solar chamam atenção, mas espaço, consumo e segurança deixam a desejar
O Chevrolet Tracker 2026 chegou ao mercado com mudanças pontuais, como novo painel digital, central multimídia ampliada e retoques no visual que o aproximam dos SUVs globais da GM.
A versão topo de linha Premier custa R$ 189.590 e tenta justificar o preço com mais tecnologia e refinamento. Mas será que ele realmente entrega tudo isso? Avaliamos os principais pontos positivos e negativos para saber se vale ou não investir no SUV compacto da Chevrolet.
Guia do Conteúdo
Razões para pensar bem
Custo-benefício sob pressão
O preço da versão Premier coloca o Tracker em uma faixa onde há concorrentes mais robustos e até eletrificados. Por R$ 189.590, o consumidor pode levar para casa o Hyundai Creta Ultimate (R$ 189.500), o T-Cross Extreme 250 TSI (R$ 188.990) ou o Jeep Compass Sport T270 (R$ 189.990). Há ainda o Toyota Corolla Cross XRE 2.0 por R$ 191.190, todos com pacotes competitivos.
Se o foco for eletrificação, o cenário se complica ainda mais para o Tracker: o BYD Song Pro GL híbrido custa R$ 189.990 e o GWM Haval H6 parte de R$ 199.900. Com isso, o modelo da Chevrolet acaba ficando caro demais para o que oferece, considerando a evolução dos rivais em motorização, segurança e espaço interno.

Segurança aquém do esperado
O pacote de segurança ativa do Tracker Premier é modesto para o segmento e para o preço cobrado. Conta apenas com frenagem autônoma de emergência e alerta de ponto cego. Não há controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, alerta de fadiga ou qualquer outra tecnologia avançada de assistência à condução.
Outro ponto negativo é o uso de freios a tambor nas rodas traseiras, enquanto rivais diretos como HR-V, Kicks, T-Cross e Compass usam discos nas quatro rodas. Em um modelo que se posiciona no topo da linha, essa economia soa incoerente e compromete a segurança em situações mais exigentes.
Consumo pior
Mesmo com motor turbo eficiente, o Tracker Premier 2026 apresentou queda nos índices de consumo. Segundo o Inmetro, com etanol, o SUV faz 7,6 km/l na cidade e 9,7 km/l na estrada. Com gasolina, os números são 11 km/l no ciclo urbano e 13,7 km/l na estrada, todos inferiores aos do modelo anterior.
A alteração pode estar ligada ao novo desenho da dianteira, que ficou mais alto e robusto, prejudicando a aerodinâmica. Embora a GM teste uma versão híbrida leve com sistema de 48V, essa solução só deve chegar em 2027, deixando o modelo atual em desvantagem frente aos híbridos que já rodam no mercado.
Espaço limitado
Com 2,57 metros de entre-eixos, o Tracker fica atrás de rivais como HR-V, Creta, T-Cross e Kicks, todos com entre-eixos de 2,61 a 2,65 metros. O espaço no banco traseiro é apenas razoável, sem grandes destaques para quem viaja atrás. E mesmo pagando quase R$ 190 mil, o comprador não leva saídas de ar-condicionado para os passageiros traseiros.
No porta-malas, o Tracker também não impressiona: são 393 litros, abaixo de modelos como o Fastback (516 l), Duster (475 l), Kicks (470 l), 2008 (419 l) e até o Nivus (415 l). Para um SUV familiar, o espaço de carga acaba sendo um ponto fraco.
Acabamento e praticidade
Apesar da versão Premier trazer uma faixa emborrachada no painel, o interior do Tracker ainda é dominado por plásticos rígidos e pouco refinamento. Isso compromete a percepção de qualidade, especialmente em um modelo com proposta mais sofisticada. Rivais como o Compass entregam uma cabine mais elegante por valor semelhante.
Além disso, o SUV tem poucos porta-objetos. Quem quiser guardar pequenos itens como óculos, carteira ou chaves pode ter dificuldades. O console central perdeu espaço por conta do carregador por indução, e não há nichos dedicados com tampa ou proteção. Falta praticidade no dia a dia.
Motivos para comprar
Tecnologia embarcada
Um dos grandes trunfos do Tracker 2026 está na cabine, com nova central multimídia de 11 polegadas e painel digital de 8 polegadas. As telas têm alta resolução e interface intuitiva, facilitando o uso diário. Os gráficos lembram smartphones modernos e tornam o ambiente interno mais sofisticado e funcional.
Além da conectividade com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, a central abriga câmera de ré com boa definição e integração com o sistema OnStar, que ganhou novos recursos de segurança. É possível até gravar sons dentro da cabine em determinadas situações, o que reforça a sensação de tecnologia a bordo.
Desempenho consistente
O conjunto mecânico segue o mesmo da linha 2025, mas ainda agrada. O motor 1.2 turbo de três cilindros rende até 141 cv e 22,9 kgfm de torque, com câmbio automático de seis marchas bem ajustado. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 9,7 segundos, superando modelos como Nissan Kicks, que demora 12,4 s para a mesma tarefa.
A condução urbana é prazerosa, com respostas rápidas e trocas suaves. O Tracker enfrenta rampas e congestionamentos com desenvoltura. A suspensão, embora firme, oferece conforto adequado e não deixa o SUV sofrer em pisos irregulares.
Ergonomia funcional
Quem passa tempo ao volante vai apreciar a ergonomia do Tracker. Os comandos são bem posicionados e os ajustes do banco e do volante favorecem uma boa postura para diferentes perfis de motorista. Há ainda comandos físicos para o ar-condicionado, algo cada vez mais raro e que facilita o uso no dia a dia.
O volante multifuncional tem ótima empunhadura e encaixe natural para as mãos. Os bancos de couro sintético são confortáveis e oferecem apoio suficiente até para viagens longas. A organização dos botões também evita distrações, mantendo a cabine funcional e amigável.
Conforto e conveniência
O pacote de itens de conforto do Tracker Premier é um dos mais completos da categoria. Destaque para o teto solar panorâmico, que agrega valor e sofisticação. A conexão Wi-Fi nativa é outro diferencial interessante, especialmente em regiões onde o plano gratuito está disponível, como no Rio Grande do Sul.
O assistente de estacionamento semiautomático também facilita a vida em manobras. O sistema ajuda tanto em balizas quanto em vagas de 90°, sendo útil em ambientes urbanos apertados. São detalhes que tornam o Tracker uma escolha conveniente para quem busca praticidade e modernidade.
Maior garantia
Após críticas e problemas envolvendo a correia banhada a óleo nos modelos anteriores, a Chevrolet agora oferece cinco anos de garantia para o Tracker 2026. A nova formulação da correia promete maior durabilidade mesmo com manutenções inadequadas, o que melhora a confiança no conjunto.
Além disso, a GM trabalha com novos fornecedores para evitar falhas e ampliar a robustez do sistema. Essa mudança demonstra preocupação com o histórico recente e tenta recuperar a credibilidade junto aos consumidores que enfrentaram dificuldades no passado.

Vale a pena comprar?
O Chevrolet Tracker 2026 representa uma evolução pontual do modelo, com mais tecnologia, bom desempenho e pacote de conforto completo. A nova central multimídia, o painel digital e a garantia estendida são diferenciais relevantes. Mas o espaço interno limitado, o consumo piorado e o pacote de segurança enxuto ainda pesam negativamente.
Se você prioriza conectividade, estilo e dirigibilidade urbana, o Tracker Premier pode ser uma boa opção. Mas se sua busca é por mais espaço, eficiência ou tecnologias de segurança, é prudente considerar alternativas. O mercado oferece opções mais completas — e até eletrificadas — pelo mesmo valor ou até menos.
Agora queremos saber a sua opinião: o Tracker 2026 está realmente à altura da concorrência? Comente abaixo, compartilhe sua experiência e continue acompanhando nossos conteúdos para não perder nenhum detalhe sobre lançamentos, comparativos e análises do setor automotivo. Sua participação faz toda a diferença!
