Ford tem prejuízo a cada veículo elétrico vendido, entenda!

A Ford Motor Company divulgou os resultados financeiros do terceiro trimestre, revelando um aumento nas perdas de veículos elétricos. A desaceleração da demanda e a guerra de preços iniciada pela Tesla no início do ano são apontadas como as principais causas dessas perdas.

De acordo com o relatório, a Ford conseguiu vender 20.962 veículos elétricos no terceiro trimestre, superando a GM por uma pequena margem. Esse resultado foi impulsionado pelo aumento na produção do Mustang Mach-E, que teve um crescimento nas vendas de 42,5% nesse período. Foram vendidas 14.824 unidades do Mach-E no terceiro trimestre, sendo que somente em setembro foram comercializadas 5.872 unidades.

Frente do Mustang Mach-E.
Frente do Mustang Mach-E. Foto: Divulgação

As entregas de veículos elétricos da montadora aumentaram 44%, resultando em um crescimento de 26% na receita anual, alcançando US$ 1,8 bilhão para a unidade Ford Model e EV, divisão de mobilidade elétrica da empresa.

No entanto, apesar do maior volume de vendas, as perdas relacionadas aos veículos elétricos continuaram a aumentar no terceiro trimestre. A empresa registrou uma perda operacional de US$ 1,3 bilhão, valor superior ao registrado no trimestre anterior (US$ 1,1 bilhão) e mais do que o dobro da perda no terceiro trimestre de 2022.

Esses números indicam que a Ford está perdendo cerca de US$ 36.000 (R$ 180.000) para cada veículo elétrico vendido no trimestre, superando a perda estimada de US$ 32.350 por veículo elétrico no segundo trimestre. No acumulado do ano, a montadora espera um prejuízo anual de US$ 4,5 bilhões em sua unidade de Veículos Elétricos.

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Mas por que isso está acontecendo?

A Ford justificou as perdas do terceiro trimestre como resultado do investimento contínuo em veículos elétricos de próxima geração e das dificuldades enfrentadas pelo mercado. Segundo a montadora, muitos clientes nos Estados Unidos não estão dispostos a pagar mais por veículos elétricos em comparação com os modelos a gasolina ou híbridos. Isso acaba pressionando os preços e a lucratividade dos veículos elétricos da Ford.

Para equilibrar adequadamente o ritmo de investimento em veículos elétricos com a demanda dos clientes, a empresa anunciou que está reduzindo cerca de US$ 12 bilhões em investimentos planejados nessa área.

Como parte desse plano, a Ford está cortando parte da produção do Mustang Mach-E e atrasando uma das duas fábricas de baterias que planeja abrir em Kentucky em parceria com a SK On. A montadora não divulgou por quanto tempo esses investimentos serão adiados. No entanto, outra fábrica de baterias em Kentucky e o complexo Blue Oval City no Tennessee continuam em andamento.

Mustang Mach-E.
Novo Mustang Mach-E chega ao Brasil. Foto: Divulgação

Apesar dessas dificuldades, a Ford reafirmou seu compromisso com os veículos elétricos de segunda geração, incluindo o lançamento de um utilitário de três fileiras e uma picape de tamanho normal.

Além disso, a tentativa de acordo com o UAW (United Auto Workers) também está pressionando os custos da Ford. O acordo inclui um aumento salarial de 25% para 57.000 trabalhadores ao longo de cinco anos. Segundo a montadora, isso adicionará entre US$ 850 e US$ 900 no custo da mão de obra por veículo.

A greve de 41 dias do UAW resultou na perda de produção de 80.000 veículos e custou à Ford US$ 1,3 bilhão, impactando negativamente a receita do terceiro trimestre em US$ 1,2 bilhão.

No Brasil, a Ford lançou recentemente o Mustang Mach-E, que está disponível exclusivamente na versão GT Performance por R$ 486.000. O modelo topo de linha é equipado com um pacote de desempenho e trem de força de motor duplo, entregando 487 cv de potência.

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Gabriel May Oechsler
Redator online do portal Agora Motor, tem 21 anos e está sempre antenado no universo automobilístico, gosta de esportes, jogos e notícias automotivas. Iniciou sua jornada no site Agora Motor em 2022, trabalhando com pesquisas extensas e escritas de artigos e notícias sobre carros, motos, etc.
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